terça-feira, 5 de maio de 2015

Quando conduzir deixa de ser seguro

“Como se pode dizer a alguém que chegou a hora de deixar de conduzir? Nem sempre é percetível ou obvio quando um familiar sénior chegou ao ponto em que tem de deixar a chaves do seu carro.”

Pode perguntar a si mesmo acerca da capacidade do seu amigo ou familiar sénior conseguir desempenhar de forma segura a tarefa de condução. Quer apoia-lo na manutenção da sua independência, mas por outro lado a capacidade para desempenhar esta tarefa torna-se uma preocupação. Infelizmente é assim, nem todos retemos a capacidade de conduzir um carro durante toda a vida. Medicação, perda de visão, fragilidade, incapacidade física e senilidade, podem levar à perda de capacidade de conduzir prematuramente e permanentemente. Então, como se pode dizer a alguém que chegou a hora de parar de conduzir?
Desistir de conduzir é uma transição que todos desejam adiar o maior tempo possível. Para muitas pessoas idosas perder a carta de condução é por si um episódio muito perturbador e com razão. Numa cultura onde dependemos fortemente dos carros para a vida quotidiana, e conseguir chegar onde precisamos – para trabalhar, ir ao médico, ir à missa, fazer compras, visitar amigos e parentes ou somente para dar um passeio. A maioria dos idosos equipara mesmo a perda da carta de condução à chegada da dependência, sentindo-se presos em casa, com a sua liberdade restringida incapazes de controlar quando podem ou não sair de casa, ser espontâneos.
Nem sempre é óbvio ou facilmente percetível quando é que um idoso chegou ao ponto de ter de abandonar as chaves do seu carro. A perda das capacidades necessárias para operar um carro com segurança pode ocorrer tanto de repente como de forma gradual. Existe um padrão que ajudar a diagnosticar estas perdas, avisos das autoridades por circulação a velocidades extremamente baixas ou muito altas, pequenos toques ou arranhões nos para-choque. Isto poderá indicar que o idoso estará com dificuldades em visualizar peões, sinalização, objetos ou outros veículos.
Os seniores podem ter declínios facilmente observáveis nas suas habilidades físicas que podem interferir na condução segura. Artrite ou outros problemas articulares podem não permitir todos os movimentos e amplitude de movimento necessários à condução. E possível que o idoso não tenha uma atividade física regular que lhe permita ser forte e flexível para as reações necessárias à condução.
A visão é obviamente um componente chave na capacidade de condução, mas a idade altera o funcionamento dos olhos. A visão periférica estreita-se, a retina torna-se menos sensível à luz e a capacidade de foco diminui. Os olhos mais velhos também são mais propensos a desenvolver cataratas, glaucomas, degeneração macular entre outros tipos de deficiências visuais.
Mais de um terço dos adultos com mais de 65 anos sofre de algum tipo de perda auditiva. Audição deficiente pode comprometer a capacidade de ouvir buzinas, sirenes, pneus e outros sons que normalmente alertam para uma situação potencialmente perigosa.
Os medicamentos prejudicam igualmente e significativamente a condução dos idosos. Os efeitos colaterais de muitas drogas comprometem a capacidade de condução, causando sonolência, visão turva, confusão e tremores. Outros medicamentos podem também causar distração ou incapacidade de concentração nas condições da estrada ou outros perigos que possam surgir.
Como cuidador, ter de retirar a chaves ao sénior de que se cuida pode ser uma das decisões mais difíceis a tomar. Mas quando se suspeita que os seus familiar já não reúne as condições de segurança, sendo um perigo para ele ou para terceiros, não espere até algo grave acontecer, tenha uma atitude preventiva. Aqui estão algumas formas práticas para avaliar se um idoso tem capacidade para conduzir.
·         Faça varias viagens com o idoso. Seja um observado ativo do seu comportamento. Verifique se esta tenso, se facilmente se irrita com outros condutores, se esta exageradamente cansado após conduzir? Se assim for o idoso pode estar a desenvolver uma ansiedade sobre a condução.
·         Fica relutante em conduzir em certos locais especialmente à noite? Talvez esteja já a entender as suas próprias limitações, pergunte-lhe o porquê destes receios.
·         Achas que o tempo de reação a semáforos ou a outros estímulos diminuiu?
·         Está consciente do ambiente de condução? Tem noção da localização da traseira do carro, o carro fica exageradamente perto das guias da estrada? Ouve reclamações de que se perde mais frequentemente?
·         Analise cuidadosamente o carro, procure sinais de danos que indiquem acidentes. Se encontrar mais danos que um normal risco ocasional, peça uma explicação.
·         Observou uma condução questionável? Questione sobre multas por infrações, ou se o valor do seguro tem aumentado.
·         Finalmente pergunte a amigos ou vizinhos sobre a condução do seu familiar ou amigo senior. Estes podem ter observado problemas, mas podem estar relutantes em contar com medo de estar a invadir a privacidade do idoso. Depois de ganhar confiança refira que se trata da segurança de todos ter esta informação.
A idade não é um preditivo absoluto da habilidade para conduzir, como cuidador é importante reconhecer os impactos que esta tem sobre o que realmente conta na estrada.

Referencias:

"How to Talk to Elderly Adults about Giving Up the Keys," by Connie Matthiessen, Senior Editor, Caring.com. "Five Risk Factor for Older Drivers," by Connie Matthiessen, Senior Editor, Caring.com. "Eight Ways to Assess Your Parent's Driving," by Connie Matthiessen, Senior Editor, Caring.com. "Older Driver Safety: Warning Signs and Knowing When to Stop," by Joanna Saisan, M.S.W., Monika White, Ph.D., and Lawrence Robinson.helpguide.org/elder/senior_citizen_driving.htm. - See more at: http://www.comfortkeepers.com/home/info-center/aging-in-place/when-driving-is-no-longer-safe#sthash.m1tVRMcr.dpu